Sempre que olhei pra mim por dentro, só encontrei dor, só encontrei frieza e decepção. - Eu só precisava de alguém pra me ajudar. Eu poderia ser feliz, ou pelo menos tentar ser. Mas a felicidade corre de mim, ela se esconde. Já procurei de norte a sul, de leste a oeste. Pareço estar morto, nada sinto, além de um vazio enorme dentro de mim, que me corrói, que me amortece. Estou vivendo num paradoxo sem fim. - Nada tem sentido, nada faz sentido. Uma vida sem nexo, ou talvez seja uma morte, quem sabe. Num momento em me encontro, noutro , não consigo me reconhecer. Vida vazia, amarga, fria. Talvez eu só precise encontrar alguém, mas nesse desespero não consigo encontrar ninguém. Repleta de desamor, vazia de sentimentos, - embora nem sei mais se sinto algo. Olhei para o céu, e vi o dia, tão lindo, o sol brilhava, maior maravilha. Mas quando eu olhei dentro de mim, quando eu vi tudo o que eu estava passando, eu vi o quanto preciso de um pouco, apenas um pouco de felicidade. Vi meu ser transbordando de tristeza, de solidão. Apenas dor, cada milimetro de mim, completo por dor. Pra cada canto que eu olhavam via um pouquinho de dor. Experimente colocar um copo em baixo de uma goteira. De tantas gotas, o copo vai enchendo, e enchendo e com um certo tempo, ele vai transbordar, não é? Então, é como me vejo. - decepção em cima de decepção. Vou transbordar, a qualquer momento, já não irei aguentar mais nada. Não sei onde a felicidade está, acho que ela se esconde de mim, não encontro-a em canto algum. E depois de várias decepções, me lembrei de como era amar. Talvez seja isso, excesso de amor. Amei demais e esqueci de me amar, amei demais e quem precisava de um pouco de amor era eu. (overdose-poetica)